Estado alcançou 86,76% de cobertura vacinal contra a poliomielite em crianças menores de 1 ano, abaixo da meta de 95%Goiás ainda não atingiu a meta de vacinação contra a poliomielite e precisa reforçar a vigilância epidemiológica para evitar o retorno da doença. Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) mostram que a cobertura vacinal em crianças menores de 1 ano chegou a 86,76% em 2026, considerando os dados parciais de janeiro a agosto.
O índice está abaixo dos 95% preconizados pelo Ministério da Saúde. Em entrevista ao Jornal Opção, Cristina Laval, superintendente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da SES-GO, destacou que a prevenção depende de duas frentes: ampliar a vacinação e fortalecer a identificação de casos suspeitos.
“Os dois instrumentos extremamente importantes na prevenção da poliomielite e, sobretudo, no trabalho diário de evitar a reintrodução do vírus aqui no Brasil são a vacinação e a manutenção de uma vigilância ativa importante”, afirmou. O alerta ocorre às vésperas do Dia Mundial de Combate à Poliomielite, celebrado em 24 de outubro.
Embora o Brasil não registre casos da doença provocados pelo poliovírus selvagem desde 1989, a circulação do vírus em outros países mantém o risco de reintrodução. Segundo dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), a cobertura vacinal contra a poliomielite em crianças menores de 1 ano apresentou crescimento em Goiás nos últimos anos.
O índice passou de 80,49% em 2023 para 83,95% em 2024. Em 2025, chegou a 85,17%. Em 2026, a cobertura alcançou 86,76%, considerando os dados parciais de janeiro a agosto. Apesar da melhora, o estado permanece abaixo da meta de 95%. No Brasil, a cobertura registrada em 2026 é de 88,32%, também inferior ao percentual recomendado.
Em entrevista, Cristina Laval afirmou que nenhuma macrorregião ou regional de saúde de Goiás atingiu a meta de forma homogênea. “Desde 2023 a gente vem melhorando as coberturas vacinais, mas não existe no estado nenhuma região, nenhuma macrorregião que esteja com as coberturas bem próximas de 95%. A gente ainda tem um caminhozinho para percorrer para chegar nessa meta”, disse.
Municípios têm índices abaixo de 50%
A cobertura vacinal varia significativamente entre os municípios goianos. Em 2026, alguns registraram índices superiores a 100%, enquanto outros ficaram abaixo de 50%. Conforme os dados parciais da RNDS para 2026, os menores índices foram registrados em Aloândia (37,5%), Jaupaci (38,1%), Ipiranga de Goiás (40%), Santa Tereza de Goiás (40%) e Portelândia (50%).
No outro extremo, Buriti de Goiás apresentou cobertura de 222,22%, seguido por Santa Rita do Novo Destino (220%), Mairipotaba (200%), Israelândia (185,71%) e Anhanguera (175%). Em 2025, os menores índices foram registrados em Santa Tereza de Goiás (47,37%), Aurilândia (50%), Aloândia (59,26%), São Patrício (60,71%) e Aruanã (62,65%).
Já as maiores coberturas naquele ano foram observadas em Adelândia e Uirapuru, ambos com 192,31%, seguidos por Buriti de Goiás (165,22%), Araguapaz (164,71%) e Marzagão (150%). A SES-GO ressalta que índices superiores a 100% podem ocorrer principalmente em municípios de pequeno porte.
Isso acontece quando o número de crianças vacinadas supera a estimativa populacional utilizada como referência. Entre as possíveis explicações estão a atualização dos registros, a vacinação de crianças residentes em outros municípios e as flutuações populacionais.
Por isso, percentuais acima de 100% não significam necessariamente que toda a população infantil esteja protegida. A secretaria afirma que acompanha continuamente os indicadores e oferece apoio às prefeituras para ampliar o acesso às vacinas, localizar crianças com doses em atraso e qualificar os registros.
Brasil não registra casos desde 1989
A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, é uma doença infecciosa que pode provocar paralisia irreversível e, em casos graves, levar à morte. A vacinação é a principal forma de prevenção. No Brasil, a primeira campanha nacional de vacinação contra a doença foi realizada em 1980, com a vacina oral conhecida como gotinha.
O personagem Zé Gotinha tornou-se um dos principais símbolos das campanhas de imunização. O último caso de poliomielite causado pelo vírus selvagem no país foi registrado em 1989, na Paraíba. Em 1994, o Brasil recebeu a certificação internacional de eliminação da transmissão autóctone do poliovírus selvagem, no contexto da erradicação da doença nas Américas.
Apesar do avanço, a ausência de casos não significa que o risco tenha desaparecido. Segundo a SES-GO, ainda há registros da doença em outros países. Cristina Laval destacou que o poliovírus selvagem continua circulando de forma endêmica no Afeganistão e no Paquistão.
“E o vírus estando circulando de forma endêmica nesses países, o risco de voltar a circular em qualquer outro país é muito grande, devido à grande circulação de pessoas que nós temos hoje no mundo”, explicou. A secretaria afirma que Goiás mantém vigilância epidemiológica permanente e possui capacidade para identificar, investigar e responder a casos suspeitos.
O esquema de vacinação contra a poliomielite passou por mudanças recentes no Brasil. Em 2024, a vacina oral foi substituída pela vacina inativada contra a poliomielite (VIP), aplicada por injeção. Em agosto de 2026, foi introduzido o segundo reforço com a vacina injetável, aos 4 anos de idade. Com a mudança, todas as doses previstas no calendário infantil passaram a ser administradas por essa via.
O esquema contempla três doses básicas, aos 2, 4 e 6 meses de vida. A primeira dose de reforço é aplicada aos 15 meses, e a segunda, aos 4 anos. A atualização do calendário busca fortalecer a proteção das crianças diante do risco de circulação internacional do vírus. Para a superintendente, manter a vacinação em dia é essencial para impedir que a doença volte a atingir o país.
Goiás registra seis notificações de paralisia flácida aguda
Além da vacinação, a SES-GO considera fundamental manter uma vigilância epidemiológica ativa. O trabalho envolve a identificação e a investigação de casos suspeitos de paralisia flácida aguda em crianças e adolescentes menores de 15 anos. A condição é caracterizada pelo aparecimento súbito de fraqueza muscular, eventualmente acompanhada de diminuição dos reflexos.
Embora possa estar associada à poliomielite, também pode ocorrer em outras doenças neurológicas. O indicador utilizado pela vigilância prevê a investigação de pelo menos 15 casos anuais de paralisia flácida aguda em menores de 15 anos. Em Goiás, porém, apenas seis notificações haviam sido registradas até o momento da entrevista, em 2026.
“Então nós precisamos fortalecer a nossa vigilância com relação à paralisia flácida aguda. Até o momento, esse ano, nós só tivemos seis casos que foram notificados”, afirmou Laval. A superintendente ressaltou que a investigação é necessária mesmo quando não há confirmação inicial de infecção pelo poliovírus.
O procedimento envolve coleta de material biológico, realização de exames e acompanhamento dos casos suspeitos. A identificação de possíveis casos permite que as equipes de saúde adotem medidas oportunas para impedir a transmissão, caso haja reintrodução do vírus.
Para melhorar os resultados, a Secretaria de Estado da Saúde tem reforçado o apoio aos municípios por meio de notas técnicas, informativos, reuniões virtuais e visitas aos territórios. Em novembro, a pasta pretende realizar uma busca ativa de registros de paralisia flácida aguda em prontuários de unidades de saúde e hospitais.
A iniciativa deverá verificar se crianças menores de 15 anos foram internadas com sintomas compatíveis, mas não tiveram os casos notificados adequadamente. “Além da gente estar olhando daqui para frente, com relação ao possível surgimento de algum caso suspeito, a gente também vai buscar, através de prontuários de unidades de saúde hospitalares, se houve ou não pessoas que internaram com paralisia flácida aguda”, explicou.
A SES-GO também realiza análises semanais de indicadores e cenários relacionados a doenças e outros agravos de relevância para a saúde pública nas reuniões do Comitê de Monitoramento de Eventos (CME). O acompanhamento é feito pela Subsecretaria de Vigilância em Saúde, em articulação com as secretarias municipais e a rede de vigilância epidemiológica.
Nota da SES-GO sobre vacinação nos municípios
“A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informa que a cobertura vacinal contra a poliomielite apresenta variações entre os municípios. Conforme dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), em 2025 os municípios com as maiores coberturas vacinais contra a pólio em crianças menores de 1 ano foram Adelândia (192,31%), Uirapuru (192,31%), Buriti de Goiás (165,22%), Araguapaz (164,71%) e Marzagão (150%).
Já as menores coberturas foram registradas em Santa Tereza de Goiás (47,37%), Aurilândia (50%), Aloândia (59,26%), São Patrício (60,71%) e Aruanã (62,65%). Em 2026, os maiores índices de cobertura foram observados em Buriti de Goiás (222,22%), Santa Rita do Novo Destino (220%), Mairipotaba (200%), Israelândia (185,71%) e Anhanguera (175%).
As menores coberturas foram registradas em Aloândia (37,5%), Jaupaci (38,1%), Ipiranga de Goiás (40%), Santa Tereza de Goiás (40%) e Portelândia (50%). A SES-GO ressalta que coberturas superiores a 100% podem ocorrer principalmente em municípios de pequeno porte, onde o número de crianças vacinadas supera a estimativa populacional utilizada como referência, seja pela atualização dos registros, atendimento de crianças residentes em outros municípios ou flutuações populacionais.
A meta preconizada pelo Ministério da Saúde para a vacina contra a poliomielite é de 95% de cobertura. A SES-GO mantém o acompanhamento contínuo dos indicadores vacinais e apoia os municípios na implementação de estratégias de busca ativa, ampliação do acesso às vacinas e qualificação dos registros.”
Nota da SES-GO sobre o último caso
“A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informa que a cobertura vacinal contra a poliomielite apresenta variações entre os municípios. Conforme dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), em 2025 os municípios com as maiores coberturas vacinais contra a pólio em crianças menores de 1 ano foram Adelândia (192,31%), Uirapuru (192,31%), Buriti de Goiás (165,22%), Araguapaz (164,71%) e Marzagão (150%).
Já as menores coberturas foram registradas em Santa Tereza de Goiás (47,37%), Aurilândia (50%), Aloândia (59,26%), São Patrício (60,71%) e Aruanã (62,65%). Em 2026, os maiores índices de cobertura foram observados em Buriti de Goiás (222,22%), Santa Rita do Novo Destino (220%), Mairipotaba (200%), Israelândia (185,71%) e Anhanguera (175%).
As menores coberturas foram registradas em Aloândia (37,5%), Jaupaci (38,1%), Ipiranga de Goiás (40%), Santa Tereza de Goiás (40%) e Portelândia (50%). A SES-GO ressalta que coberturas superiores a 100% podem ocorrer principalmente em municípios de pequeno porte, onde o número de crianças vacinadas supera a estimativa populacional utilizada como referência, seja pela atualização dos registros, atendimento de crianças residentes em outros municípios ou flutuações populacionais.
A meta preconizada pelo Ministério da Saúde para a vacina contra a poliomielite é de 95% de cobertura. A SES-GO mantém o acompanhamento contínuo dos indicadores vacinais e apoia os municípios na implementação de estratégias de busca ativa, ampliação do acesso às vacinas e qualificação dos registros.”













