O segundo e último debate presidencial de 2026 hoje na TV Globo começou com a apresentação de propostas pelos candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), mas terminou com uma troca generalizada de ofensasCom temas livres, o quarto bloco acabou virando espaço para acusações de ambos os lados sobre as notícias que dominaram a campanha eleitoral, com destaque para o escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Foram citados também as investigações que envolvem o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, e a mansão disputada pelo jogador Richarlison e o advogado e amigo de Flávio, Willer Tomaz.
A mudança de postura dos candidatos ocorreu no último e único bloco com temas livres. Nos três blocos anteriores, Lula e Flávio também se atacaram, mas priorizaram pelo modelo do programa a apresentação de propostas de acordo com os temas sorteadosO tema da segurança, por exemplo, colocou os dois em lados opostos no terceiro bloco. Ao afirmar que, se eleito, Flávio vai devolver à população territórios dominados do crime organizado, o candidato foi logo questionado pelo adversário sobre que tipo de segurança ele promete.
O presidente levou ao debate a mãe da menina Ana Clara, de 5 anos, morta com um tiro de fuzil durante uma ação policial no Rio em 2021. Cristiane Gomes da Silva atribui ao senador, que faz parte da defesa do policial que teria dado o tiro, a decisão da Justiça de adiar o julgamentoAo ser questionado por que um senador da República defende um “policial assassino”, Flávio disse que não há provas que o agente citado tenha cometido o crime. Nervoso, ele cometeu uma gafe: chamou a mãe pelo nome da filha. O programa não mostrou a imagem de Cristiane, que veste uma camiseta com a foto da filha. O policial militar Bruno Dias Delaroli foi acusado pelo Ministério Público de atirar. Flávio integrou a defesa do policial e assinou, em 2024, um recurso ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a decisão de levá-lo a júri popular.
O veto às bets também dominou parte dos debates no terceiro bloco. Em recado às mulheres, Lula defendeu sua medida de vetar o jogo online No começo do terceiro bloco, Flávio ainda criticou o preço dos alimentos. “Meu concorrente prometeu picanha e entregou abóbora. Chegou ao ponto de falar a seguinte frase: ‘Se a comida está cara, não compra’. Lula, você está achando a comida barata para o brasileiro que está endividado”, disse.
Lula admitiu que o endividamento dos brasileiros é “uma coisa muito séria”. “Nós, desde o primeiro mês de mandato, criamos o primeiro ‘Desenrola’ para resolver o problema da dívida, criamos o segundo e agora estamos criando o terceiro.”Não vou aceitar ser tratado assim e por um miliciano”, disse Lula. Antes, o presidente usou seu tempo para discursar como perdeu um dos dedos aos 17 anos — durante o trabalho em uma metalúrgica no ABC, em São Paulo —, e exigir uma reparaçãoFlávio aproveitou o momento. Pediu desculpas a Lula se falou “algo que lhe tenha ofendido” e aproveitou para exigir do petista pedidos de desculpas, por exemplo, às famílias brasileiras que não conseguem chegar ao final do mês com comida no prato, às mulheres que não se sentem seguras.
A primeira pergunta do bloco, no entanto, foi a mesma feita no debate da Band, relativa ao voto contrário do então deputado estadual do Rio sobre um projeto de lei que ampliava a licença maternidade das servidoras do estado. Sem fugir dessa vez da resposta, Flavio disse que se “arrependeu” e que votou contra porque “imaginava que a ampliação do benefício de 120 para 180 dias iria prejudicar as mulheSalário mínimo
O presidente Lula (PT) partiu para o ataque contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, no primeiro bloco do debate da TV Globo. Logo de cara, o petista afirmou que o adversário não conhece o Brasil ao abordar o tema “infraestrutura e exportação”, sorteado pelo apresentador Cesar Tralli, e disse que ele “estuda para decorar, mas não para aprender”.
Em postura oposta, Flávio priorizou a apresentação de propostas até então desconhecidas. Ele prometeu, por exemplo, concluir obras paradas do governo petista e garantir pedágio zero para motos em todas as novas rodovias a serem abertas no território nacional. Sem citar nenhum exemplo.













