Projetos emblemáticos defendidos pelo Governo de Goiás, como o Hospital de Câncer (CORA) e a irrigação do Vão do Paranã, ficaram fora dos repasses do PACA infraestrutura é um dos principais fatores para o desenvolvimento econômico e social de uma região. Estradas em boas condições facilitam o escoamento da produção, sistemas de transporte eficientes reduzem o tempo de deslocamento e investimentos em saneamento, drenagem e saúde interferem diretamente na qualidade de vida da população.
Em Goiás, onde os 246 municípios apresentam diferentes demandas de mobilidade, urbanização e acesso a serviços públicos, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, reúne uma carteira de aproximadamente R$ 84 bilhões em investimentos previstos e promete transformar a infraestrutura do Estado. Desse total, R$ 47,2 bilhões já foram investidos entre 2023 e 2026, segundo dados da Secretaria Especial do Programa de Aceleração do Crescimento (SEPAC), enquanto outros R$ 36,5 bilhões permanecem programados para etapas posteriores. O pacote contempla cerca de 1,5 mil operações e obras em todos os municípios goianos, das quais mais de 500 já foram concluídas.
Veja um mapa de calor de Goiás realizado conforme quantidade e localidade das obras do programa:Apesar do volume de recursos, a carteira reúne diferentes modalidades de investimento, entre transferências diretas da União, financiamentos públicos e aportes da iniciativa privada. A distinção é importante porque nem todo empreendimento anunciado como parte do PAC representa dinheiro já transferido aos cofres estaduais ou municipais. Há projetos em execução, propostas selecionadas, operações de crédito e intervenções que ainda dependem de estudos e modelagens.
Entre as obras previstas estão o BRT Norte Sul de Goiânia, intervenções nas rodovias federais BR-070, BR-080 e BR-020, projetos de saneamento e drenagem urbana e a inclusão do Anel Viário de Goiânia na futura concessão da BR-060. Ao mesmo tempo, demandas apresentadas pelo Governo de Goiás no início do terceiro mandato do presidente Lula da Silva (PT), como o financiamento do Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora), a fruticultura irrigada do Vão do Paranã e o BRT entre Luziânia e o Distrito Federal, tiveram destinos diferentes do inicialmente pretendido pelo Estado.
Como funciona a distribuição dos recursosAndamento das obras
Apesar do volume de investimentos anunciado, a execução dos empreendimentos também enfrenta obstáculos. Márcio Vale afirma que algumas obras indicadas pelo governo estadual apresentam atrasos e dificuldades para avançar nas etapas necessárias à execução.
“O governo do Estado de Goiás escolheu algumas obras e algumas delas estão efetivamente muito atrasadas por várias questões. Estruturalmente, nós percebemos dificuldades em locais específicos para dar andamento às providências necessárias”, afirma.
O secretario aponta que a inclusão de uma obra no planejamento federal não garante, por si só, que ela seja executada dentro do prazo inicialmente esperado. Os empreendimentos dependem de projetos técnicos, licenciamento, licitações, disponibilidade de áreas e capacidade administrativa dos órgãos responsáveis, entre outras variáveis.
O cenário também ajuda a explicar a diferença entre os valores globais anunciados para o Novo PAC e o volume de obras efetivamente concluídas. Os R$ 84 bilhões previstos para Goiás reúnem investimentos em diferentes estágios, com parte dos recursos destinada a empreendimentos de longo prazo e concessões que ultrapassam o atual ciclo de governo.
Ao mesmo tempo, a carteira evidencia que a infraestrutura goiana depende de uma combinação de recursos federais, estaduais, municipais e privados. Enquanto algumas intervenções avançam por meio de transferências diretas da União, outras dependem de financiamentos, contrapartidas locais ou da participação de concessionárias.
O resultado é um programa que alcança os 246 municípios goianos, mas com diferentes níveis de execução e prazos. Para além dos valores anunciados, o desafio está em transformar os projetos selecionados em obras concluídas e serviços efetivamente disponíveis à população.














