É comum assistir a gestores gravando vídeos e apresentando recapeamentos do Goiás em Movimento como “obra da nossa gestão”. Mas os documentos revelam uma realidade que precisa ser esclarecida.
Na etapa anunciada em abril de 2026, foram destinados R$ 165,5 milhões do Tesouro Estadual para atender 126 municípios. É a Goinfra que disponibiliza o recurso, realiza a licitação, contrata a empresa, fiscaliza os serviços e paga pela execução.
A prefeitura participa: solicita o benefício, indica as ruas, elabora levantamentos, apresenta ART, mapas, fotografias e cronogramas, assina o convênio e atesta os serviços. Essa participação é importante, mas não transforma dinheiro estadual em investimento municipal.
O prefeito pode dizer que buscou a parceria e ajudou a viabilizar o benefício. O que não pode é esconder a origem do recurso e fazer a população acreditar que milhões saíram dos cofres da prefeitura.
Se a gestão afirma que investiu dinheiro próprio, que apresente dotação, empenho, liquidação e pagamento. Sem documentos, vender recapeamento estadual como realização financeira da prefeitura é propaganda enganosa e apropriação política de obra pública.
O município pode ter despesas com suas obrigações técnicas ou reparos prévios. Isso, porém, não autoriza o gestor a assumir a autoria de todo o investimento.
Obra pública não é presente de político. Prefeito que esconde quem realmente pagou para posar como “pai da obra” não está prestando contas: está tentando transformar dinheiro público em promoção pessoal.
A página permanece aberta ao contraditório e à apresentação de documentos.
Fontes: Goinfra, Governo de Goiás/Agência Brasil Central e documentos técnicos do programa.
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