Esquema teria causado prejuízo de R$ 700 mil à Prefeitura de Formosa; médicos, ex-procurador municipal e empresário são réus por corrupção e fraude em licitação
11/11/2025
O escândalo envolvendo uma licitação para a compra de testes rápidos de Covid-19 pela Prefeitura de Formosa, em 2020, ganhou novo capítulo. A Justiça aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) contra quatro acusados, e o caso agora vai a julgamento. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 700 mil.
Segundo a investigação, o processo licitatório foi forjado para beneficiar a empresa Magacho Importação e Exportação Ltda, de propriedade dos irmãos Rafael e Bernardo Magacho, ambos médicos. Eles são apontados como os principais articuladores do esquema, que teria contado com o apoio do então procurador municipal Leonardo Bonini e do empresário Humberto de Alencastro, apontado como intermediador.
Empresas foram usadas sem saber
De acordo com o MP-GO, os suspeitos criaram propostas falsas de três outras empresas — Saúde Comercial Hospitalar, Vitta Hospitalar e GD Hospitalar — para simular concorrência no processo. As companhias, entretanto, afirmam que jamais participaram da licitação e que seus documentos foram falsificados.
Em ofício encaminhado ao Ministério Público, a GD Hospitalar informou que “o documento apresentado é falso, o timbre não corresponde ao utilizado pela empresa, o endereço de e-mail informado não é nosso e a assinatura constante na proposta também não nos pertence”.
A Saúde Comercial Hospitalar relatou que “o orçamento não é dos moldes que fazíamos na época. Colocaram a assinatura do antigo proprietário, que já havia saído da empresa há meses”. Já a Vitta Hospitalar, segundo o MP, sequer existe mais — a empresa deixou de funcionar há cerca de oito meses.
Testes superfaturados
A Magacho venceu o certame oferecendo os testes de Covid por R$ 140 a unidade. No entanto, poucos dias antes, a mesma empresa havia vendido o mesmo produto à Prefeitura de Blumenau (SC) por R$ 79,93, valor quase 50% menor.
Para o promotor Douglas Chegury, responsável pela denúncia, “a diferença expressiva de valores se deu em razão do pagamento de propina aos denunciados Leonardo Bonini e Humberto de Alencastro Costa Ferreira”.
O esquema
O processo de licitação foi aberto em maio de 2020, durante o período mais crítico da pandemia. Segundo a denúncia, “não passou de um jogo de cartas marcadas”, já que o grupo teria decidido previamente que a Magacho seria a vencedora. Para dar aparência de legalidade, os investigados criaram propostas falsas em nome de outras empresas, com valores superiores, para simular disputa.
A Justiça recebeu a denúncia do MP, apresentada com base em indícios de fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, e violação de sigilo de propostas. O processo tramita na 2ª Vara Criminal de Formosa, sob responsabilidade do juiz Paulo Henrique Silva Lopes Feitosa.
Os réus Rafael Magacho, Bernardo Magacho, Leonardo Bonini e Humberto de Alencastro vão responder por crimes previstos nos artigos 337-F, 337-J, 317 e 333 do Código Penal.
O Ministério Público pede a condenação dos acusados e a reparação integral do dano causado aos cofres públicos.












