Polícia Civil indicia radialista por calúnia majorada contra prefeita de Formosa

Delegado conclui que comunicador atribuiu falsamente crime à gestora em áudio veiculado na Rádio Lance FM

20/11/2025

A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito nº 2506449935 e indiciou o radialista e jornalista Fábio José de Souza Rodrigues, assessor de imprensa da Câmara Municipal de Formosa, pela prática, em tese, do crime de calúnia majorada contra a prefeita Simone Dias Ribeiro (UB). A decisão, assinada pelo delegado Paulo Henrique Ferreira dos Santos, foi formalizada em 17 de novembro de 2025.

De acordo com a investigação conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Formosa, há indícios de que o comunicador atribuiu falsamente à prefeita a prática de um “crime grave” ao afirmar, em áudio divulgado na Rádio Lance FM e replicado em grupos de WhatsApp, que ela teria ordenado uma ligação clandestina de energia elétrica no CMEI Maguito Vilela.

Investigação aponta falso relato sobre religação de energia

A apuração teve início após Simone Ribeiro comunicar que tomou conhecimento do áudio em que o radialista afirmava que eletricistas da Prefeitura teriam sido autorizados por ela a religar a energia da creche, após o corte motivado pela inadimplência de três faturas. A hipótese mencionada na gravação configuraria furto qualificado de energia, tipificado no artigo 155, § 3º do Código Penal.

Durante o inquérito, a prefeita negou de forma categórica ter determinado qualquer intervenção de servidores municipais. A Polícia Civil reuniu documentos encaminhados pela Equatorial Energia (Ofício nº 993425145), que contrariam a versão apresentada por Rodrigues. A empresa informou que o fornecimento foi interrompido em 18 de setembro de 2025 e restabelecido pela própria concessionária no mesmo dia, de maneira excepcional, seguindo ordem interna da gerência — e não por técnicos da Prefeitura.

Os pagamentos das faturas pendentes foram identificados apenas nos dias 19, 20 e 24 de setembro.

Radialista admite autoria do áudio e contesta investigação

Em interrogatório, Rodrigues confirmou ser o autor da gravação. Ele alegou ter se baseado em vídeos do vereador Ciê do Sacolão, em pronunciamentos da prefeita e em suposta conversa com uma gerente regional da Equatorial, que teria confirmado as informações mencionadas no áudio.

O delegado responsável destacou, no entanto, que o comunicador não cumpriu o dever básico de verificação dos fatos exigido no exercício do jornalismo, ao atribuir à prefeita a prática de um crime sem checar adequadamente a veracidade das informações. O relatório afirma que Rodrigues teve intenção de ofender a honra da gestora ao classificá-la como autora de um “crime gravíssimo”.

Contraponto da defesa

Procurado pelo Jornal Opção, Fábio José de Souza Rodrigues afirmou possuir provas de que a religação não foi realizada pela Equatorial. Ele disse ter “vídeos e documentos” que demonstrariam que a Prefeitura executou o serviço, e que tais materiais sustentariam as declarações feitas por ele na rádio.

O radialista, que afirma ter 38 anos de carreira, disse jamais fazer afirmações sem respaldo e alegou perseguição política: “A prefeita está mal avaliada e tenta silenciar quem denuncia sua má gestão”, declarou. Ele reforçou que pretende comprovar na Justiça que não cometeu calúnia.

Nota enviada pela defesa:

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