03/04/2025
Dois candidatos disputam o cargo de diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) para o mandato 2026-2030, em uma eleição marcada por forte mobilização técnica e política entre os países das Américas. A escolha acontece na próxima terça-feira (4/11), durante a Conferência dos Ministros da Agricultura das Américas, em Brasília.
Concorrendo ao posto estão Fernando Mattos, ex-ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, e Muhammad Ibrahim, da Guiana. A secretária de Agricultura de Honduras, Laura Suazo, retirou sua candidatura na semana passada.
O IICA, órgão técnico ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA), atua há 83 anos no fortalecimento da agricultura nas Américas, com sede na Costa Rica e orçamento anual de US$ 33 milhões. Sua carteira de projetos ultrapassa US$ 1 bilhão, com investimentos voltados à inovação, agricultura familiar, sustentabilidade e segurança alimentar.
Apoios e divergências regionais
O Brasil deve apoiar oficialmente o uruguaio Fernando Mattos, em alinhamento ao Mercosul, que busca dar mais protagonismo à produção agrícola sul-americana. Já o Paraguai declarou voto em Muhammad Ibrahim, que é visto como o favorito por contar com o apoio de 14 países da Comunidade do Caribe (Caricom), além de México, Paraguai, Equador e Peru.
Para vencer, o candidato precisa de 17 votos, maioria simples entre os 32 países votantes. Os Estados Unidos também declararam apoio ao guianense Ibrahim, reforçando o peso político da disputa.
Perfis dos candidatos
Fernando Mattos é engenheiro agrônomo formado no Rio Grande do Sul e possui dupla nacionalidade — uruguaia e brasileira. Ele já presidiu entidades rurais e afirma que pretende tornar o IICA mais moderno e acessível, com meta de quadruplicar o volume de recursos aplicados em projetos anuais, chegando a US$ 1 bilhão.
Muhammad Ibrahim é doutor em Ciências Agrícolas e Ambientais, com 35 anos de experiência em cooperação técnica. Foi diretor do Centro Agronômico Tropical de Pesquisa e Ensino (Catie), na Costa Rica, e também já atuou no próprio IICA. O guianense afirma ter apoio de 25 países e quer fortalecer projetos de resiliência climática e produção local nos países mais vulneráveis da região.
Importância estratégica do IICA
O IICA é considerado essencial no apoio técnico ao setor agropecuário do continente, especialmente nos países que enfrentam desafios de segurança alimentar. Em 2025, o órgão deve atingir recorde de captação de US$ 400 milhões para novos projetos.
A eleição promete ser decisiva para definir o rumo da cooperação agrícola nas Américas nos próximos anos, em um cenário global de crescente debate sobre segurança alimentar, sustentabilidade e inovação no campo.












