Estudo aponta que tutores sem imunização contra Covid-19 têm maior tendência a não vacinar cães e gatos
28/10/2025
O movimento antivacina, que ganhou força entre humanos nos últimos anos, agora também alcança os donos de animais de estimação. Veterinários relatam um aumento de clientes que recusam ou atrasam a vacinação de cães e gatos, mesmo contra doenças graves e potencialmente fatais, como raiva, parvovirose e leptospirose.
Pesquisas recentes mostram que essa relutância é significativa. Um estudo de 2023 apontou que 52% dos donos de pets tinham alguma incerteza sobre a segurança, eficácia ou necessidade das vacinas. Já uma pesquisa de 2024 estimou que 22% dos donos de cães e 26% dos donos de gatos poderiam ser classificados como hesitantes em vacinar seus animais.
O impacto dessa tendência preocupa especialistas. Doenças que eram praticamente erradicadas, como a raiva, podem voltar a representar risco não apenas para os animais, mas também para os humanos. Antes da implementação de campanhas de vacinação em massa no século 20, a maioria dos casos de raiva humana nos Estados Unidos era causada por mordidas de cães infectados.
O fenômeno está diretamente ligado ao aumento do ceticismo em relação às vacinas humanas, intensificado durante a pandemia de Covid-19. Pesquisadores identificaram que donos que não se vacinaram completamente contra a Covid-19 tendem a ter pets não vacinados. A desconfiança em autoridades e instituições, combinada com a disseminação de informações incorretas pelas redes sociais, reforça esse comportamento.
Embora vacinas para animais possam causar efeitos colaterais, eles são raros e geralmente leves. Por exemplo, vacinas contra leptospirose em cães de pequeno porte apresentam risco maior de reação alérgica, mas casos graves são incomuns. Em gatos, há registros de sarcomas no local da aplicação, mas também se trata de um evento raro. Atualmente, muitos reforços são aplicados a cada três anos, em vez de anualmente.
Especialistas alertam que a hesitação em vacinar superestima os riscos das vacinas e subestima os riscos das doenças. O resultado é queda nas taxas de imunização de pets, aumento de infecções preveníveis e riscos à saúde pública.
No cenário político e regulatório, há preocupação de que o ceticismo influencie a legislação sobre vacinação animal, refletindo padrões observados na saúde humana. Estados que flexibilizaram regras de vacinação para humanos podem inspirar mudanças na obrigatoriedade de vacinas para cães e gatos, aumentando ainda mais o risco de surtos.











