Vítima afirma que foi algemada e agredida dentro de casa, na presença do filho de 1 ano, e obteve medida protetiva; Polícia Civil investiga o caso
21/12/25
Uma mulher de 30 anos denunciou ter sido vítima de agressões físicas, abuso e invasão de domicílio supostamente praticados pelo cunhado, um major da Polícia Militar de Goiás, durante uma ação ocorrida dentro de sua residência, em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. O caso foi registrado na última terça-feira (16) e é apurado pela Polícia Civil.
Segundo relato da vítima, Mônica Ricceli, a abordagem ocorreu por volta das 20h, sem apresentação de mandado judicial ou existência de queixa-crime formal. Ela afirma que estava colocando o filho, de 1 ano e oito meses, para dormir quando policiais militares entraram no imóvel. Outras viaturas permaneceram do lado de fora da residência.
De acordo com a denúncia, ao abrir a porta do quarto, Mônica teria sido agarrada pelo cunhado, o major Adriano Soares, e jogada ao chão. Ela relata que foi imobilizada por outros policiais, algemada e submetida a agressões, incluindo chutes, resultando em lesões na costela e fratura no braço, conforme laudo médico. A mulher também afirma que sofreu toques inadequados durante a ação policial.
A vítima relata ainda que as agressões ocorreram diante do filho, que chorava durante toda a abordagem. Segundo ela, o major teria afirmado reiteradas vezes que, por ser oficial da PM, ninguém acreditaria em sua versão dos fatos. Após a imobilização, Mônica foi colocada na viatura, onde permaneceu por cerca de 20 minutos, relatando mal-estar.

A motivação apresentada pelos policiais para a ação teria sido uma denúncia de furto de cães pertencentes à família. A mulher nega a acusação e afirma que cuidava dos animais há anos, apresentando registros e mensagens que comprovariam a posse desde 2022. Ela afirma que decidiu doar os cães por orientação médica, em razão de problemas de saúde do filho, e que a decisão teria sido comunicada previamente à família.
Após ser levada à delegacia, Mônica foi liberada sem prisão em flagrante. Ela realizou exame de corpo de delito, registrou boletim de ocorrência no contexto de violência doméstica e solicitou medida protetiva contra o cunhado, que foi concedida pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam).
Em declaração, o major Adriano Soares negou as agressões e afirmou que agiu dentro da legalidade, sustentando que houve resistência à abordagem policial e que as lesões teriam ocorrido durante a condução. Ele também negou qualquer prática de assédio ou abuso e afirmou que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo.
Por meio de nota, a Polícia Militar de Goiás informou que tomou conhecimento da ocorrência e que o policial citado estava de folga no momento dos fatos. A corporação afirmou que ele solicitou apoio de uma equipe em serviço, que conduziu os envolvidos à autoridade policial. A Corregedoria da PMGO instaurou procedimento administrativo para apurar as circunstâncias e a conduta dos policiais envolvidos.













