27/05/2025
O interesse pelos espaços culturais e bibliotecas públicas do Distrito Federal registrou um crescimento expressivo em 2025. De acordo com o balanço da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), as unidades públicas de cultura e leitura alcançaram a marca de quase 145 mil visitantes entre janeiro e setembro. Desse total, 98,4 mil foram usuários, um número 24,57% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O fluxo de turistas também aumentou, chegando a 46,4 mil, o que representa um crescimento de 6,69%.
A alta frequência não se limitou à visitação. O empréstimo de livros nas bibliotecas públicas também disparou, com um aumento de 32,8%, totalizando mais de 18 mil livros retirados em 2025. O levantamento abrange a Biblioteca Nacional de Brasília (BNB) e as 24 unidades que compõem a rede de bibliotecas públicas coordenadas por ela, espalhadas pelas regiões administrativas.
Dinamismo e acessibilidade impulsionam a busca

Para Aline Alves, gerente de atendimento da Biblioteca Nacional de Brasília, o notável crescimento é fruto de um esforço concentrado para tornar os espaços mais atraentes e dinâmicos. “O espaço está sendo mais conhecido. Muitas pessoas veem o prédio e nem acreditam que é uma biblioteca, até entrarem e descobrirem o serviço. Mas não só isso, a biblioteca também está fazendo vários eventos culturais. Saímos de um clube do livro para seis em um ano”, destaca Alves.
Com um acervo robusto de mais de 60 mil exemplares, a BNB cobre uma vasta gama de áreas do conhecimento. Alves enfatiza que o papel da biblioteca vai além do empréstimo. “Somos um país muito desigual. O trabalhador brasileiro, em sua maioria, recebe até dois salários mínimos e não tem condição de comprar livros. Nosso papel é fornecer o acesso à informação e à leitura para pessoas que não teriam esse acesso de outra forma”, afirma, ressaltando o valor social do equipamento público.
A qualidade do ambiente é um diferencial notado pelos frequentadores, como o publicitário Luiz Fernandes, de 41 anos, que tornou a BNB parte de sua rotina. “É um espaço silencioso e tranquilo. O ambiente é bem-estruturado, favorece a concentração e atrai muita gente”, relata.
Bibliotecas regionais se tornam polos de estudo
Nas regiões administrativas, as bibliotecas públicas também viram o movimento crescer. É o caso da Biblioteca Pública de Samambaia, que aprimorou o ambiente e o acervo, atraindo cada vez mais estudantes e moradores em busca de leitura e cursos.
Alexandre Ribeiro Rodrigues, analista de políticas públicas que atua na unidade de Samambaia, atribui o aumento de visitantes às melhorias estruturais e à divulgação. “A gente conseguiu instalar o ar-condicionado, melhorar a internet e algumas baias de estudo. Além disso, a divulgação pelas redes sociais fez muita gente descobrir que a biblioteca existe”, comenta.
Rodrigues ressalta a importância desses espaços para a concentração. “Ao contrário do que as pessoas pensam, o livro físico não está ultrapassado. Há alunos que dizem que não conseguem estudar em casa, por causa da rotina familiar. Aqui, eles encontram silêncio e foco para alcançar seus objetivos”, explica.
A estudante Maysa Lopes, de 22 anos, que frequenta a Biblioteca Pública de Samambaia há cerca de um ano para estudar para concursos, confirma os benefícios. “Gosto muito da infraestrutura, é silenciosa, limpa, organizada e até com cozinha equipada. Isso faz a diferença […] aqui consigo render bem mais”, diz. Para ela, a gratuidade e a proximidade são cruciais. “Ter um espaço assim, perto e gratuito, motiva e interessa as pessoas. Nem todo mundo tem como se deslocar até o Plano Piloto ou lugares mais distantes para ter uma estrutura boa como essa”, observa.
Investimento em acervo e inovação

O aumento na procura reflete os investimentos recentes da Secec-DF na modernização e ampliação do acervo das bibliotecas. O número de empréstimos saltou de 8 mil em 2022 para 23 mil em 2024. Somente este ano, foram adquiridos 120 mil novos livros, com a previsão de chegar a 1 milhão.
Outras ações da Secretaria para diversificar o público e os serviços incluem o programa de aulões gratuitos para Enem, vestibulares e concursos, que já beneficiou mais de 4 mil pessoas. O Distrito Federal também inaugurou a Segunda Arena Gamer gratuita do Brasil, registrando 23 mil atendimentos, consolidando a estratégia de tornar os equipamentos culturais multifuncionais e acessíveis a diferentes interesses e faixas etárias.
Da Redação do Agenda Capital
Fotos: Lúcio Bernardo Jr. / Agência Brasília












